SOMBRA ESPELHO

OHLEPSE ARBMOS

2020

 

Pandemia.

De repente estou enclausurada. Máscaras por todo lado, mas nunca se pôde tanto tirá-las e olhar para as próprias sombras. Dentro de um quarto, tempo dilatado. A luz que ilumina a rua, ilumina a casa e expande o espaço em sombras.

 

 

               Sombras, recortes, trânsitos.                Passagem.

 

Mortes. Precisei do poste da rua pra ver aqui dentro. Precisei ver aqui dentro pra aceitar a morte. Tudo bem a porta às vezes estar fechada, se há uma janela aberta.

 

                                                                                                   Humor também é sombra,

 

recortes, trânsitos. Multifaces, de algo que não se tem controle, assim a luz do poste. Sair do dualismo e chegar no uno.               Morte, morri?                Reconhecer a sombra é uma morte. Acolher é renascer.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Ritualizar a vida é acolher os ciclos, compreender as mortes das várias camadas. A máscara que abafa as palavras, também expande a escuta e o olhar. Dentro e fora. Nunca se esteve tão dentro.

 

Sombra Espelho é um convite para embarcar nesse tempo dilatado consigo mesmo.

O vídeo foi realizado no contexto da pandemia, dentro de um quarto com duas pessoas na mesma atmosfera de isolamento social. Os recursos utilizados vieram a partir de um fator externo, o poste de luz da rua que ilumina o quarto e cria toda uma narrativa de sombras e alargamento do espaço. Experimentando as várias aberturas, abrir e fechar a porta e a janela, é possível criar uma série de cenas, transições e recortes. As luzes utilizadas foram uma lâmpada fluorescente e um ring light (em dado momento coberto por papel colorido), compondo as camadas e passagens da narrativa. A câmera utilizada foi de um Iphone 11, de maneira estática em tripé.